Celina Leão promete retirar carroças das ruas.

Vice-governadora e candidata a governadora promete fazer cumprir a lei aprovada há sete anos, que proíbe o uso de animais em tração de carroças no DF. Guará é uma das poucas regiões que tolera a circulação de carroças nas ruas

Mesmo após sete anos da aprovação da Lei Distrital nº 5.756/2016, que proíbe a circulação de carroças e outros veículos de tração animal nas vias urbanas do Distrito Federal, a realidade no Guará segue praticamente inalterada. As carroças ainda estão presentes nas ruas da cidade, utilizadas principalmente para a coleta de entulho e material reciclável, mesmo com a proibição formal desde 2019 e de diversas operações de remoção.
A governadora em exercício Celina Leão anunciou, nesta quarta-feira, 14 de janeiro, uma “política de tolerância zero” para o uso de animais em carroças em todo o Distrito Federal. Segundo ela, a partir de agora, animais abandonados ou flagrados puxando carroças serão recolhidos e encaminhados à Secretaria de Agricultura do DF, com previsão de doação para propriedades rurais, onde possam trabalhar com “conforto e em condições de humanidade”.
A medida foi anunciada durante a inauguração do 1º papa-entulho do Riacho Fundo II e integra um conjunto de ações contra o descarte irregular de lixo e os maus-tratos a animais. “Vamos apertar os cintos na fiscalização do descarte regular de lixo, com multas e com a retirada desses carroceiros das ruas”, afirmou a governadora. Segundo ela, todos os trabalhadores que ainda usam carroças estão cadastrados para receber financiamentos para a compra de tuk-tuks. “Ele vai ter um veículo que vai com mais distância, com manutenção mais barata, e vamos acabar com os maus-tratos aos animais, que é algo tão grave”, afirmou.

Guará segue como ponto crítico
O Guará é uma das regiões administrativas mais afetadas pela permanência dos carroceiros. Além de ser uma das últimas cidades a permitir a circulação livre de carroças em vias urbanas, enfrenta problemas recorrentes com acúmulos de entulho e lixo em áreas públicas, especialmente em pontos da Expansão do Guará (QEs 48 a 58), onde o volume de obras e reformas é intenso. A contratação de carroceiros continua sendo a opção mais barata para muitos moradores, o que dificulta ainda mais a substituição dessa atividade por soluções mecanizadas.
Apesar de campanhas de fiscalização e conscientização, além de tentativas anteriores de controle, como cadastramento, vacinação e emplacamento dos animais, o cenário se repete. Até hoje, iniciativas como a remoção de vilas de carroceiros, como a que existia nos fundos da QE 38, não surtiram efeito duradouro. Após a retirada de barracos e recolhimento de animais, os carroceiros retornam ao mesmo local logo depois.
De acordo com dados da Federação de Defesa dos Animais do DF, existem cerca de 15 mil cavalos nas mãos de carroceiros em todo o Distrito Federal. O uso excessivo e em condições precárias compromete a saúde dos animais, que geralmente vivem metade do tempo esperado para equinos, devido às condições de maus-tratos e sobrecarga de trabalho. Animais resgatados pela fiscalização são encaminhados ao curral da Secretaria de Agricultura, onde recebem atendimento veterinário.
Tuk-tuks: promessa distante da realidade
Em resposta à necessidade de cumprir a legislação, o GDF criou em 2019 o Programa de Transição da Utilização de Veículos de Tração Animal. No Guará, um projeto piloto com tuk-tuks para coleta de entulho foi iniciado em parceria com cooperativas de reciclagem, mas a experiência, na prática, ainda não teve os resultados esperados.
Poucos tuk-tuks estão em circulação na cidade, e o serviço ainda não conseguiu substituir de forma eficaz o uso das carroças. Mesmo assim, o governo insiste na ampliação do projeto, alegando que todos os carroceiros estão cadastrados para receber financiamentos para aquisição dos veículos elétricos. Segundo a governadora Celina Leão, os tuk-tuks têm manutenção mais barata e maior alcance, o que permitiria aos trabalhadores manterem suas atividades sem prejudicar os animais.
A experiência do Guará com os tuk-tuks revela dificuldades logísticas e de adesão. Mesmo com o anúncio de expansão do programa para outras regiões administrativas, a substituição das carroças ainda é incipiente. A promessa de modernizar o serviço esbarra em fatores como custo dos equipamentos, infraestrutura limitada e baixa adesão dos próprios carros.

Fonte: Jornal do Guará