UPA começa a aparecer

Quem passa pela via contorno ou pela via central do Guará II, em frente à estação Guará do metrô, já consegue visualizar as obras da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que estão na fase de concretagem da laje, com início do levantamento das paredes e da alvenaria previsto para a próxima etapa. De Porte 3, a UPA do Guará está sendo projetada dentro dos mais modernos padrões de engenharia e tecnologia .O investimento é de R$ 17,2 milhões.
De acordo com o diretor de Infraestrutura e Logística do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), Marcos Dutra Vargas, a implantação da unidade no Guará é de fundamental importância para a ampliação do atendimento de urgência e emergência no DF. “A obra está bem avançada. O Guará já é contemplado com um hospital, e a chegada de uma UPA vem para agregar o atendimento inicial à população. A nossa expectativa é oferecer um serviço de excelência aos moradores da região”, destaca.
Com área construída de 2.632 metros quadrados, a unidade contará com 65 leitos, sendo 33 destinados ao público adulto e 32 ao atendimento pediátrico. Desse total, dois leitos serão voltados especificamente a urgência e emergência. O diretor ressalta que o padrão nas novas UPAs do DF é contemplar também o atendimento pediátrico.
Atualmente, quatro UPAs no Distrito Federal oferecem atendimento pediátrico: Sobradinho, Ceilândia, São Sebastião e Recanto das Emas. Com a entrega das sete novas unidades que estão sendo construídas no DF, essa realidade deve mudar. “É uma novidade que realmente traz um grande destaque e reforça o compromisso com a ampliação e a qualificação do atendimento à população”, explica o diretor.

População comemora
A nova UPA, localizada no Guará II, na QI 23, contará com consultórios médicos, salas de estabilização, isolamento e curativos, além de laboratório, brinquedoteca, farmácia, serviço de diagnóstico por imagem, refeitório e áreas de apoio aos profissionais de saúde.
“A gente não tinha uma UPA, era carente disso, e agora vai suprir essa carência. É muito importante para a região. O Guará precisava desse atendimento”, afirma Daniel Abreu Filho, de 61 anos, morador do Guará II. Ele também ressaltou que a nova unidade deve ajudar a reduzir a sobrecarga do Hospital do Guará. “Hoje a gente acaba sobrecarregando bastante o hospital, e isso vai dar condições para que ele atenda melhor a população”, completa.
A comerciante Rayssa Silva, de 21 anos, moradora de Ceilândia, que trabalha próximo à futura unidade, avalia a implantação da UPA como um reforço importante para a população. “Eu acho que é um apoio melhor, principalmente para os moradores. É mais perto, tem fácil acesso, fica próximo ao metrô. É mais uma ajuda, porque hoje em dia a gente depende muito do hospital, e está muito difícil conseguir atendimento”. Ela também destaca a importância do investimento do Governo do Distrito Federal em obras como essa: “Com certeza é importante. A gente trabalha e paga imposto justamente para ter algo melhor para os moradores, um apoio melhor”.
A previsão é que a UPA do Guará esteja funcionando em até o final de 2026. A construção está sendo agilizada porque as novas UPAs tiveram seus projetos desenvolvidos na plataforma BIM (Modelagem da Informação da Construção), um modelo digital inteligente de edificação, que reúne todas as informações do projeto em um ambiente integrado. Isso permite antecipar e solucionar possíveis interferências entre os sistemas da obra, como estrutura, elétrica, hidráulica e climatização, evitando incompatibilidades no processo construtivo.

 

Quais os casos de atendimento
As UPAs funcionam como uma ponte entre a Unidade Básica de Saúde (UBS) e os hospitais, oferecendo atendimento de urgência e emergência em casos como fraturas, cortes, falta de ar, crises hipertensivas, infecções e outros agravos que exigem intervenção rápida. Também oferecem exames como raio-X, eletrocardiograma e laboratório básico.
A UPA do Tipo 3 conta também com soluções tecnológicas sustentáveis, como energia fotovoltaica, climatização central com renovação de ar, sistema de dados estruturado, redundância elétrica com geradores e usinas de ar comprimido medicinal. Tudo isso garante funcionamento ininterrupto, mesmo em casos de queda de energia.
O presidente do IgesDF, Cléber Montgeiro, informa que, paralelamente às obras, serão abertos processos seletivos para formação das equipes que vão atuar nas novas unidades. “O planejamento prevê que, no momento da entrega das UPAs, todas já estejam com as equipes formadas e treinadas, garantindo início imediato dos atendimentos”, garante.

Presidente do Iges garante que UPA não vai incomodar vizinhança

Cléber Monteiro afirma que a rotina dentro e ao redor da UPA não vai provocar os transtornos que moradores das quadras em volta imaginam

Com previsão de atendimento para até 20 mil pessoas por mês, a nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Guará tem gerado preocupação entre moradores das quadras próximas. A principal crítica é relacionada à localização da unidade, considerada muito próxima de áreas residenciais. Os moradores temem transtornos como aumento no trânsito, ruído de sirenes e desvalorização imobiliária. No entanto, o presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGES-DF), Cléber Monteiro, afirma que não há motivo para preocupações.
“O funcionamento da UPA não vai gerar os transtornos apontados. As ambulâncias raramente usam sirene e, quando o fazem, os motoristas são orientados a desligá-las ao se aproximar da unidade”, explica Cléber. Ele também destaca que o projeto inclui medidas de sustentabilidade e silêncio, como uso de energia solar e sistema de gás silencioso, evitando ruídos de geradores.

Estrutura e perfil da nova UPA
A unidade do Guará será do Tipo 3, a mais completa entre os modelos de UPA. Terá 65 leitos e contará com atendimento pediátrico, diferencial que justificou a escolha do modelo. Segundo Cléber Monteiro, a opção pela Tipo 3 foi necessária devido à demanda crescente e à sazonalidade das doenças respiratórias, especialmente no período seco do ano. “Seria inviável entregar uma unidade sem atendimento pediátrico em uma região como o Guará”, afirma.
A UPA não é um hospital, mas um pronto-socorro para emergências pontuais. Ainda assim, alguns pacientes acabam permanecendo por mais tempo do que o previsto. “Apesar de não ser ideal, é natural que alguns pacientes fiquem um ou dois dias. Por isso, é preciso garantir estrutura adequada e conforto para a recuperação”, explica Cléber.

Falta de profissionais na rede
Uma das principais críticas da população é a suposta falta de médicos nas unidades de saúde. Cléber nega que haja carência generalizada de profissionais. “Cada nova UPA prevê cerca de 280 profissionais, dimensionados conforme mapas de atendimento. O que existe são situações pontuais, como ausências por motivo de saúde ou casos em que a demanda excede a capacidade prevista”, afirma.
Ele também reconhece que há maior facilidade em contratar médicos generalistas do que especialistas, que muitas vezes são atraídos pela rede privada. Ainda assim, destaca a existência de equipes estáveis, como no Hospital de Base, que operam com excelência.

Gestão e contratação pelo IGES
A gestão da UPA pelo IGES permite maior agilidade na contratação de pessoal e aquisição de materiais. “Enquanto um concurso da Secretaria de Saúde demorou mais de um ano para ser homologado, conseguimos contratar 30 pediatras para a UPA de Sobradinho em apenas duas semanas”, exemplifica Cléber.
Para a unidade do Guará, o processo de contratação será seletivo e criterioso, conforme o perfil da unidade. Todos os equipamentos serão novos e compatíveis com a função da UPA, que é garantir atendimento emergencial com qualidade e agilidade.

Perspectivas para a rede de saúde
Para evitar internações prolongadas nas UPAs, o IGES planeja ampliar a retaguarda hospitalar. Entre as iniciativas está a implantação do Hospital do Sol, em Ceilândia, que servirá como suporte para os casos mais complexos. “Nosso objetivo é garantir fluxo adequado de atendimento, sem sobrecarregar as UPAs”, conclui Cléber.

 

Fonte: Jornal do Guará