Basta circular pela cidade, principalmente à tarde e à noite, para se deparar com lixo espalhado pelas ruas, calçadas e áreas verdes. Restos de comida, sacos de lixo doméstico, entulho da construção civil e até mesmo móveis velhos são descartados de forma irregular em diferentes pontos do Guará. A sujeira, além de prejudicar o aspecto visual do ambiente, coloca em risco a saúde da população. E o que mais chama atenção é que grande parte desse problema tem origem dentro das próprias casas e é provocado pelos próprios moradores ao descartar o lixo em locais e horários inadequados.
Em muitos endereços, principalmente em áreas adensadas como o Polo de Moda, a maior parte do lixo é colocada nas ruas durante a tarde e exposto por horas até a manhã do outro dia, período em que é rasgado por animais, espalhado pelo vento ou pisoteado por pedestres e carros. O resultado são calçadas sujas, entupimento de bocas de lobo e o aumento da presença de pragas urbanas como ratos, baratas e escorpiões.
Além da falta de conscientização dos moradores, outro fator – talvez o principal – seja a tolerância com carroceiros e catadores que espalham o lixo de qualquer maneira em busca do que é aproveitável. Entre o setor Iapi, as quadras novas e o viaduto do Núcleo Bandeirante prospera uma vila de catadores que aumenta a cada dia, mesmo com insistentes denúncias da população à Administração Regional do Guará e à Secretaria DF Legal.
Outro fator crítico é o crescimento desordenado de regiões que originalmente não foram planejadas para residências, como o Setor de Oficinas, a QE 40, principalmente o Polo de Moda. Nessas áreas, muitos prédios não possuem lixeiras comunitárias nem estrutura adequada para o armazenamento dos resíduos, obrigando os moradores a deixar o lixo nas calçadas. Com ruas estreitas e congestionadas de carros, os caminhões de coleta também enfrentam dificuldades para circular.
Embora o SLU mantenha coletas regulares e tenha promovido campanhas educativas com distribuição de materiais informativos e orientação presencial, os resultados ainda não tem surtido efeito. Poucos dias após mutirões de limpeza, o lixo volta a se acumular. Isso evidencia uma necessidade urgente de conscientização permanente, que envolva escolas, comércios e moradores de forma sistemática.
RISCOS À SAÚDE
O descuido no descarte também traz riscos graves à saúde pública. O contato com lixo orgânico em decomposição é vetor para a propagação de doenças como dengue, leptospirose e berne. A água acumulada em embalagens descartadas forma criadouros do mosquito Aedes aegypti, enquanto o lixo orgânico atrai animais peçonhentos, como escorpiões, que têm sido cada vez mais frequentes no Guará.
A fiscalização é feita pela DF Legal, que pode multar tanto grandes geradores quanto pessoas físicas por descarte irregular. As multas variam entre R$ 87 e R$ 23 mil, dependendo da gravidade da infração. Mas a aplicação efetiva dessas penalidades depende do flagrante, o que dificulta a atuação e pouca estrutura dos órgãos fiscalizadores do governo.
Não há solução definitiva para o problema sem a participação direta da população. O lixo é gerado em cada casa, e é responsabilidade de cada cidadão dar a ele o destino correto. De nada adianta a atuação dos órgãos se o lixo continuar sendo jogado nas ruas, fora do horário da coleta ou em locais inadequados. Para que o Guará volte a ser uma cidade limpa, é preciso mudar o comportamento de quem vive nele.
Lixo também é aliado da dengue





