Novo comandante do 4º Batalhão quer ampliar o uso da tecnologia

Major Felipe Noronha, que assumiu esta semana o Batalhão do Guará, destaca integração com a comunidade, uso de tecnologia, reforço do policiamento orientado por dados e ações concentradas em áreas com maior incidência de crimes

O major João Felipe Holanda Noronha assumiu o comando do 4º Batalhão da Polícia Militar do Guará com a proposta de reforçar a presença da corporação em pontos estratégicos da cidade, ampliar o diálogo com a comunidade e adotar ferramentas tecnológicas no enfrentamento à criminalidade. Com 25 anos de carreira na Polícia Militar do Distrito Federal, ele chega ao posto após passagens por batalhões de área, unidades especializadas e funções ligadas à segurança institucional. Esta é sua primeira experiência efetiva no comando de um batalhão.

Noronha já conhecia a realidade da segurança pública
do Guará por já ter servido no próprio 4º Batalhão

Natural do Rio de Janeiro e morador do DF desde 1988, o oficial já conhece a realidade da região. Como capitão, trabalhou no próprio 4º Batalhão durante dois anos (2012 a 2014), atuando no planejamento e nas operações da área. Segundo ele, esse histórico contribuiu para o convite feito pelo Departamento Operacional da corporação para assumir o batalhão do Guará. Ao longo da carreira, Felipe Noronha passou pela Rotam, pelo BOPE, pelo batalhão da Asa Sul e foi subcomandante nos batalhões do Recanto das Emas, Sobradinho e Taguatinga, além de ter atuado no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e na segurança do então governador Joaquim Roriz. O major observa que a dinâmica da segurança pública no Guará mudou ao longo dos anos, sobretudo após a reorganização territorial da área de atuação do 4º BPM, que anteriormente também abrangia a Estrutural e a Cidade do Automóvel.
Ao comentar essa transformação, Felipe Noronha afirma que o cenário atual permite maior concentração do policiamento na própria cidade. “O morador do Guará acabava perdendo o policiamento que deveria permanecer na área pela demanda de ocorrências em outras regiões”, diz ele.
De acordo com o novo comandante, essa separação, provocada pela criação de um batalhão próprio para a Estrutural, permitiu concentrar melhor o policiamento no Guará, reduzindo um problema antigo de remanejamento constante de efetivo para outras regiões mais pressionadas por ocorrências. Na avaliação dele, quando a presença do poder público diminui, abrem-se espaços para a atuação criminosa. “Quando o poder público não se faz presente, a criminalidade ocupa”, resume. Por isso, a intenção é intensificar o emprego do policiamento em áreas e horários já identificados como mais sensíveis.

Tecnologia, mapeamento e áreas críticas
Entre as prioridades da nova gestão está a retomada de um projeto de videomonitoramento com uso de inteligência artificial. A proposta é integrar câmeras já existentes a um sistema capaz de identificar foragidos da Justiça e pessoas com mandado de prisão em aberto em locais de grande circulação, como a Feira do Guará, a estação Feira e a estação Guará, e a QE 7, locais de maior aglomeração e movimento. Segundo o comandante, o objetivo é permitir que o alerta chegue à equipe policial em tempo real, facilitando abordagens e prisões mais direcionadas. “A ideia é exatamente contemplar regiões de grande fluxo de pessoas”, explica. Ele acrescenta que, caso haja ajuste técnico e integração com os órgãos de segurança, a implementação poderá avançar nos próximos 60 dias em pontos com estrutura compatível.
Além da tecnologia, o batalhão pretende intensificar o mapeamento criminal para definir estratégias mais precisas de atuação. O major citou a QE 40, especialmente o Polo de Moda, como uma das áreas que exigem atenção especial. Segundo ele, roubos e furtos costumam se repetir em locais e horários semelhantes, o que permite organizar ações específicas para esses períodos. Ele cita também nessa abordagem, a travessia para o Lúcio Costa e casos recorrentes de furto de cabos e fios, que têm causado prejuízos a moradores, comerciantes e instituições da cidade.

O novo comandante terá também a parceria do novo comandante do 2º Comando Regional, coronel Everaldo Aragão, que já foi comandante do 4º BPM em 2021/2022

Em relação aos furtos de cabos de energia, o crime que mais cresce no Guará, o comandante diz que a polícia já identificou estabelecimentos de reciclagem aa QE 40 apontados como os principais destinos de materiais furtados. A intenção, segundo ele, é buscar apoio da Administração Regional e dos órgãos de fiscalização para verificar questões relacionadas a alvarás e horários de funcionamento, além de dificultar a revenda imediata dos produtos levados em crimes. A avaliação é de que restringir esse circuito pode aumentar as chances de flagrante e reduzir a reincidência, porque o ladrão não vai correr o risco de ficar circulando pela cidade com os cabos enquanto aguarda a aberta dos pontos de receptação.
Outro foco citado pelo major é a atuação sobre autores recorrentes de furtos e roubos na cidade. “Já identificamos suspeitos envolvidos em parte expressiva desses delitos e a orientação é manter o trabalho de prisão e registro das ocorrências, mesmo diante das dificuldades legais e da reincidência. Ele cita também a preocupação com jovens envolvidos em atos infracionais, defendendo que o enfrentamento do problema exige resposta do sistema público de forma mais ampla.

Relação com a comunidade e Vizinhança Protegida
Na relação com os moradores, o novo comandante afirma que pretende manter e ampliar a aproximação entre polícia e comunidade, seguindo uma linha que, segundo ele, já vem sendo fortalecida nos últimos comandos. Para o novo comandante, a participação dos moradores é decisiva para melhorar a qualidade da informação que chega ao batalhão e para orientar o policiamento de acordo com as demandas reais de cada região. “Quanto mais parcerias nós conseguimos firmar com a sociedade civil, melhor é”, afirma. Ele avalia que o Guará se destaca positivamente por ter uma população que procura a Polícia Militar, apresenta demandas e acompanha de perto os temas ligados à segurança pública.
O projeto Grupos de Vizinhos Protegidos também deve continuar entre as frentes de trabalho do 4º BPM. Atualmente, segundo o comandante, existem oito grupos em funcionamento no Guará. A intenção é ampliar a participação dos moradores e estimular o uso da ferramenta, que tem apresentado melhor resultado em áreas onde há maior engajamento entre comerciantes e residentes. O major citou o SOF Sul, Região do Guará, como exemplo de local em que a troca rápida de informações entre participantes ajuda na identificação de situações suspeitas e na pronta comunicação com a polícia. Segundo ele, a proposta não é formar grupos excessivamente grandes, mas criar redes com participação efetiva dos moradores e comerciantes.

Fonte: Jornal do Guará