Tragédia no Guará – FILHO MATA A PRÓPRIA MÃE

Universitário de 23 anos é preso em flagrante após matar a mãe dentro do apartamento da família no Guará II

Vinícius de Queiroz Nogueira Dourado, 23 anos, foi preso em flagrante após confessar o assassinato da própria mãe no Guará II.

Um crime registrado na noite de terça-feira, 20 de janeiro, provocou forte comoção entre moradores do Guará e do DF. Maria Elenice de Queiroz, 61 anos, foi morta dentro do próprio apartamento, localizado na Rua 10 do Polo de Moda, e o autor do homicídio foi o próprio filho, um jovem universitário de 23 anos. A tragédia aconteceu no interior da residência da família e foi seguida de confissão imediata do agressor à avó, que também estava dentro de casa.
De acordo com a polícia, a vítima chegou em casa por volta das 20h30. Como fazia habitualmente, deixou a bolsa na sala e seguiu até o quarto para ver o filho. Pouco tempo depois, gritos foram ouvidos dentro do apartamento. A avó relatou que, inicialmente, pensou se tratar de barulho vindo de outro imóvel do prédio, onde costumam morar crianças.
Minutos depois, o jovem saiu do quarto e afirmou que havia matado a própria mãe com uma faca. Ainda em estado de choque, a avó pediu ajuda e acionou a polícia. Ao ser questionado sobre o motivo do ataque, o rapaz respondeu que havia tido um surto. Segundo o relato da avó, até aquele momento o dia havia transcorrido de forma aparentemente normal, sem discussões ou sinais de conflito.
Ao chegarem ao apartamento, os policiais militares encontraram o autor sentado no sofá da sala, sem demonstrar resistência, tentativa de fuga ou comportamento agressivo. Ele foi preso em flagrante. Equipes do Corpo de Bombeiros também estiveram no local e tentaram reanimar a vítima, que havia sido atingida por um golpe de faca na região do pescoço e já se encontrava em parada cardiorrespiratória. Apesar dos procedimentos de emergência, a mulher não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Após a confirmação da morte, o apartamento foi isolado para a realização da perícia e o corpo da vítima foi removido pelo Instituto Médico Legal ainda na noite de terça-feira, por volta das 23h50. O registro da ocorrência foi feito na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, responsável pela investigação do caso, que apura as circunstâncias do crime e os desdobramentos jurídicos da prisão.


Filho relatou abandono gradual da medicação
Durante o interrogatório na delegacia, Vinícius de Queiroz revelou que havia interrompido gradualmente o uso de medicações para depressão. Segundo o estudante, os remédios o faziam “apagar” à noite e dificultavam sua rotina, como levantar-se para frequentar as aulas na Universidade de Brasília. Ele afirmou que “foi tirando aos poucos” o medicamento, por iniciativa própria, e relatou não ter notado grande diferença após a suspensão. Questionado na delegada se já havia sonhado com o crime, respondeu que sim: “É como se eu já tivesse visto isso antes”, afirmou Vinícius ainda contou que o ato foi por impulso, dizendo que ele e a mãe tinham personalidades diferentes e que ela falava alto, o que o incomodava. “Acertei ela com uma facada na jugular”, contou o jovem. Ele também admitiu que não foi a primeira vez que teve esse tipo de vontade, mas que, anteriormente, conseguiu se controlar.

Quem era Maria Elenice


Maria Elenice de Queiroz, moradora do Guará e conhecida na cidade por sua atuação como empreendedora. Ela mantinha um espaço voltado à área de nutrição e bem-estar e tinha uma rotina ativa no comércio no Polo de Moda e era muito querida por vizinhos e clientes.
Descrita por pessoas próximas como alegre, comunicativa e solidária, Maria Elenice era vista como alguém sempre disposta a ajudar. Nas redes sociais, familiares, amigos e conhecidos manifestaram pesar pela morte e destacaram o carinho com que ela tratava todos ao seu redor. As mensagens ressaltaram sua dedicação à família, a forma afetuosa com que se relacionava com amigos e o impacto positivo que deixou na comunidade do Guará.
Amigos contam que Maria Elenice tinha facilidade para criar vínculos, gostava de conversar e mantinha uma relação próxima com vizinhos e clientes, e que ela acompanhava de perto a vida do filho e demonstrava preocupação constante com o bem-estar da família.
O autor do crime é estudante do quinto semestre do curso de Economia da Universidade de Brasília. Segundo o depoimento da avó, o jovem enfrentava um quadro de depressão e fazia uso de medicação controlada, mas nem sempre seguia o tratamento de forma regular. Ainda conforme a avó, não havia histórico de brigas frequentes, agressões ou episódios anteriores de violência no ambiente familiar, o que aumentou o choque diante do ocorrido.
A avó afirmou que o neto sempre teve um comportamento considerado tranquilo e que, no dia do crime, chegou a sair do quarto, almoçar e conversar normalmente. O episódio, segundo ela, foi inesperado e difícil de compreender, tanto para a família quanto para pessoas próximas.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal. O jovem permanece à disposição da Justiça, enquanto as autoridades aguardam laudos periciais e outros elementos para esclarecer completamente as circunstâncias do homicídio. A tragédia reacendeu, entre moradores do Guará, discussões sobre saúde mental, acompanhamento médico contínuo e a complexidade de situações que envolvem violência dentro do ambiente familiar.

 

Fonte: Jornal do Guará